O governo liderado por Javier Milei está gerando controvérsias na Argentina devido às demissões de funcionários públicos em órgãos associados aos direitos humanos. Um terreno de 17 hectares em Buenos Aires, onde anteriormente estava localizada a ex-Esma (Escola de Mecânica da Armada), principal centro clandestino de tortura durante a ditadura, tornou-se alvo dessas demissões.
O local foi transformado em museus e institutos de memória e direitos humanos, sendo considerado Patrimônio Cultural da Humanidade desde 2023. Recentemente, 36 dos 103 trabalhadores do Arquivo Nacional da Memória, localizado na ex-Esma, foram demitidos, assim como 45 funcionários do Centro Cultural Haroldo Conti, que também está situado na Esma.
Essas demissões estão levantando preocupações e críticas, pois enfraquecem a política de memória do Estado na Argentina. Javier Milei defende uma revisão do período da ditadura, mencionando a violência perpetrada por grupos guerrilheiros, e questiona a necessidade de uma política de reparação de direitos humanos.
Os órgãos de direitos humanos, muitos dos quais estão sem liderança desde o início do governo de Milei, estão apreensivos em relação ao futuro de suas atividades. O governo ultraliberal não apresentou novos projetos na área e há incerteza sobre o destino desses espaços e instituições de memória na Argentina.