O Parque Ibirapuera, localizado na zona sul de São Paulo, passará por uma revisão de seu Plano Diretor em 2025. Este processo contará com a participação de diversos stakeholders, incluindo membros da sociedade civil, visitantes frequentes, a concessionária Urbia e a Prefeitura de São Paulo. O parque, um dos principais símbolos da cidade, atraiu mais de 2,3 milhões de visitantes em dezembro, um número comparável à população de Belo Horizonte.
A gestão do Ibirapuera pela Urbia, que começou após cinco anos da assunção da concessão, tem sido alvo de críticas. Frequentadores e vendedores autônomos expressam descontentamento com os preços elevados e a transformação do parque em um “shopping a céu aberto”, uma alegação também apoiada pelo Ministério Público de São Paulo (MPSP).
A concessão concedeu à Urbia não apenas a administração das áreas verdes e banheiros, mas também de diversos equipamentos públicos. A empresa informou ter investido R$ 226 milhões até 2024, superando o valor inicialmente previsto no contrato com a Prefeitura, que era de R$ 105 milhões. A Urbia justifica seus investimentos com pesquisas que indicam melhorias na experiência dos usuários.
A Urbia é controlada pela construtora Construcap, que assumiu também a reforma da marquise do parque, uma obra orçada em mais de R$ 70 milhões e que não está incluída no contrato original de concessão.
Em resposta às questões levantadas sobre a revisão do Plano Diretor, a Secretaria do Verde e do Meio Ambiente (SVMA) afirmou que o processo está sendo conduzido com transparência e participação pública. Estudos técnicos e consultas são fundamentais neste trabalho, visando atender as necessidades da população e garantir a preservação ambiental.
Um dos serviços oferecidos pela Urbia é o aluguel de bicicletas por meio do programa Ibirabike. No último trimestre de 2024, foram registradas 107.719 locações, com um faturamento estimado em R$ 2 milhões apenas com esse serviço durante três meses. No entanto, ciclistas que utilizam o parque criticam a falta de infraestrutura adequada, como bicicletários seguros e bem localizados.
Samuel Lloyd, diretor da Urbia, explicou que a implementação de um bicicletário adequado enfrenta limitações espaciais no parque. A necessidade de espaço público para abrigar tal estrutura representa um desafio logístico. Caso o bicicletário seja construído no futuro, há indícios de que ele poderá ter tarifas semelhantes às aplicadas nos estacionamentos.
Outro ponto controverso envolve a instalação da Casa Ultravioleta pelo Nubank no portão 7 do parque. Inicialmente restrita a clientes premium do banco, passou a cobrar tarifas elevadas por serviços exclusivos após críticas sobre o acesso ao público em geral. Além disso, serviços como os oferecidos pela Urbia em banheiros privados geram insatisfação entre os frequentadores.
O Planetário do Ibirapuera também faz parte da concessão atual e apresentou baixa ocupação nas sessões realizadas recentemente. Questões sobre tarifas sociais para cursos oferecidos nesse espaço ainda não receberam respostas claras.
A relação entre a concessionária e assessorias esportivas também está sendo analisada. Representantes dessas organizações alegam que enfrentam cobranças indevidas para utilizar as instalações do parque e relatam intimidações relacionadas à publicidade durante seus treinos.
A Urbia não respondeu diretamente às perguntas feitas pela reportagem sobre esses pontos específicos, mas reafirmou seu compromisso com a gestão do Parque Ibirapuera e outros espaços públicos. Segundo a empresa, sua atuação resultou em economia significativa aos cofres públicos e investimentos consideráveis na infraestrutura e na preservação ambiental.
A concessionária contestou as críticas sobre o parque se tornar um “shopping a céu aberto”, enfatizando que não existem lojas permanentes no local e que o número de pontos comerciais foi reduzido desde o início da concessão.
Por fim, a Urbia destacou que todas as atividades realizadas estão dentro das diretrizes estabelecidas no contrato de concessão e reafirmou seu compromisso em oferecer um ambiente seguro e acessível para todos os visitantes.