A redução das emissões de dióxido de carbono é uma questão urgente no cenário global, especialmente diante das mudanças climáticas. Em São Paulo, a maior metrópole do Brasil, a administração municipal está considerando a introdução de ônibus movidos a biometano como uma alternativa viável aos veículos elétricos, que enfrentam desafios devido à falta de infraestrutura de recarga.
Atualmente, a frota de ônibus da cidade conta com 13 mil veículos, dos quais apenas 429 são elétricos. O processo de carregamento desses ônibus leva, em média, três horas e permite até oito viagens de uma hora cada. No entanto, muitos desses veículos ficam inativos nas garagens devido à insuficiência da infraestrutura de abastecimento elétrico. Em uma única garagem, mais de 30 ônibus permanecem parados sem operar.
O prefeito Ricardo Nunes (MDB), responsabilizou a concessionária de energia Enel, afirmando que a empresa não tem demonstrado o comprometimento necessário para conectar a energia nas garagens.
“Não imaginávamos que a Enel seria tão irresponsável em sua atuação”, afirmou Nunes, ressaltando a necessidade de revisar os prazos devido à falta de tecnologia disponível.
Em um seminário realizado nesta terça-feira (25), a prefeitura discutiu a possibilidade de iniciar a operação de ônibus movidos a biometano dentro de dois anos. Esse combustível é gerado a partir do lixo de aterros sanitários e da cana-de-açúcar.
Embora os ônibus alimentados por GNV e biometano não consigam eliminar totalmente as emissões, eles podem reduzir entre 90% e 95% a liberação de certos poluentes, incluindo o dióxido de carbono. Para a administração municipal, essa alternativa pode ajudar São Paulo a atingir parte das metas de despoluição estabelecidas.
Atualmente, os ônibus movidos a biometano não são capazes de zerar as emissões até 2038, como prevê a legislação, mas são vistos como uma solução temporária. Nunes destacou que, ao contrário do que aconteceu com os ônibus elétricos, a prefeitura exigirá garantias quanto à implantação da infraestrutura necessária para a distribuição de gás e conexão das redes. Ele afirmou que cerca de 90% das garagens da capital têm acesso a alguma forma de rede de gás encanado dentro de um raio que permite o abastecimento.
Em termos financeiros, um ônibus elétrico custa entre R$ 2,4 milhões e R$ 3 milhões. Por outro lado, um ônibus movido a biometano pode variar de R$ 1,2 milhão a R$ 1,8 milhão, dependendo da configuração escolhida.
Frota elétrica
A expansão da frota de ônibus elétricos em São Paulo desempenha um papel crucial na mitigação da poluição atmosférica. Desde a introdução do primeiro ônibus elétrico na capital paulista, a cidade conseguiu evitar a liberação de 41,3 mil toneladas de dióxido de carbono (CO₂), equivalente à quantidade de gás que 2,7 milhões de árvores absorvem anualmente. Essa redução significativa resultou da eliminação do uso de 16 milhões de litros de diesel que seriam consumidos por veículos movidos a combustíveis fósseis.
Atualmente, 430 ônibus elétricos fazem parte do sistema de transporte público da cidade, sob a administração da SPTrans. Desses, 412 unidades foram incorporadas entre setembro de 2023 e janeiro de 2024. Além dos ônibus elétricos, São Paulo também opera com 201 trólebus, totalizando 631 veículos que não emitem poluentes durante suas operações.
A gestão municipal, além de investir em ônibus elétricos, também promove iniciativas com veículos movidos a biometano e gás natural veicular (GNV). Em 17 de março, foram entregues 22 caminhões de coleta de resíduos que utilizam energia limpa. Juntamente com as 27 carretas movidas a biometano entregues em dezembro do ano anterior, esses novos veículos têm o potencial de reduzir o consumo mensal em 65 mil litros de óleo diesel, contribuindo para a diminuição das emissões em aproximadamente 161 toneladas de CO₂ e 1,3 tonelada de óxidos de nitrogênio.