Quinta-feira, Abril 3, 2025
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Surto de “superfungo” acende alerta em hospital público de SP

O Candida auris, conhecido como “superfungo”, tem gerado preocupação global devido à sua alta capacidade de disseminação, resistência a antifúngicos e elevada taxa de mortalidade. Recentemente, o Hospital do Servidor Público Estadual, na zona sul de São Paulo, registrou um surto com 14 pacientes colonizados — portadores do fungo sem infecção ativa — e um caso confirmado desde janeiro.

Os primeiros registros do Candida auris no Brasil datam de 2020, durante a pandemia de Covid-19. O primeiro caso foi identificado em um paciente internado em uma UTI em Salvador (BA). A superlotação dos hospitais na época favoreceu o surgimento do fungo, tornando surtos hospitalares mais frequentes, especialmente em UTIs.

Diego Rodrigues Falci, infectologista e diretor da Sociedade Brasileira de Infectologia (SBI), explica que candidíases invasivas são comuns entre pacientes hospitalizados. A transmissão ocorre principalmente por contato direto com o fungo, que sobrevive em superfícies como roupas de cama, corrimãos e equipamentos médicos. “Pacientes em uso prolongado de antibióticos, submetidos a quimioterapia ou transplantes e aqueles gravemente enfermos em UTIs são mais vulneráveis devido ao comprometimento do sistema imunológico”, afirma Falci.

Risco à saúde pública

A Anvisa considera o Candida auris uma grave ameaça pelos seguintes motivos:

  1. Formação de biofilmes altamente resistentes a antifúngicos.
  2. Resistência a medicamentos comuns, como fluconazol, com até 90% dos isolados apresentando essa característica.
  3. Potencial para causar infecções invasivas, como candidemia, que pode ser fatal em imunocomprometidos.
  4. Sobrevivência prolongada em superfícies contaminadas e resistência a desinfetantes.
  5. Dificuldade de identificação laboratorial e eliminação eficaz do ambiente contaminado.

Falci alerta que a candidemia associada ao Candida auris pode ser fatal. Os sintomas incluem febre, mal-estar e piora nos exames laboratoriais. O tratamento exige antifúngicos, mas a resistência do fungo dificulta o manejo clínico, exigindo alternativas terapêuticas.

Situação no Hospital do Servidor Público Estadual

No Hospital do Servidor Público Estadual, um paciente de 73 anos faleceu após ser infectado pelo Candida auris, mas a instituição informou que a morte ocorreu por complicações cirúrgicas, não diretamente pela infecção.

O Instituto de Assistência Médica ao Servidor Público Estadual (Iamspe) afirmou ter adotado medidas para conter o surto, como isolamento dos pacientes em quartos individuais e intensificação da limpeza. A situação foi comunicada à Anvisa, e coletas mensais serão realizadas nos próximos seis meses para monitoramento.

Embora 14 pacientes tenham sido identificados como colonizados, nenhum desenvolveu infecção ativa. O hospital mantém reuniões semanais com a Anvisa para avaliar as ações e reforçar protocolos de controle. “O HSPE segue investindo no atendimento humanizado e no fortalecimento das medidas de segurança para os pacientes”, afirmou um representante da instituição.

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